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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

08
Dez17

Passamos pelas coisas sem as ver


Sofia Almeida

 

 

 

 

 

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Em 1948 Eugénio de Andrade escreveu: “Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.”

Hoje estamos em 2017, e o pensamento é o mesmo. Esta vida desenfreada, de acordar, trabalhar, dormir. Como se de um ciclo vicioso se tratasse. As pessoas não têm tempo. Tempo para usufruir. Tempo para aproveitar. Repara. Estamos na correria, sem olhar pela janela para apreciar a paisagem. Gastas, cansadas, sem vida. Todos os dias iguais, todos os dias mecanizados. Um quotidiano totalmente previsível.

As pessoas perderam a compaixão, a capacidade de se colocarem no lugar do outro. Queixamo-nos da segunda-feira, ansiando pelo fim-de-semana. Queixamo-nos do frio, da chuva, do imenso calor. Queixamos-nos das filas de espera, da falta de paciência para com quem nos está a atender. Da falta de compreensão para com a espera. Passamos pelas coisas sem as ver, não há um “boa tarde” ao vizinho, um “bom dia” às pessoas que não conhecemos mas com quem nos cruzamos todos os dias. Vivemos com fotos e sorrisos perfeitos online. Das nossas crianças, surgem vídeos de violência, casos de bullying que alguém viu, mas que não teve coragem para travar. Dos nossos velhinhos, a solidão. Sozinhos. Nas praças, nas ruas, alguns sem poderem ver o sol a brilhar. Acamados. Sem famílias, sem visitas, e muitas vezes tratados como lixo.

Dos nossos animais, abandonados na rua, sem dó nem piedade. Um flagelo. Com fome, com frio, abandonados. Passamos pelas coisas sem as ver. Hoje a aparência importa mais do que a essência.

Sabotamos a vida porque não vemos a vida como ela é. Hoje é o agora. O momento de colocar um like na vida de alguém, é agora: um like real. Memoriza a paisagem feliz, diz bom dia a todos em voz alta e repara. Repara porque há alguém em algum lugar, perto ou longe, que está a fazer alguma coisa boa por nós. Alguém que passa por nós e nos vê.

Repara bem, porque por  vezes não vemos com olhos de ver. Mas há alguém que nos vigia, que nos acalma, que está sempre lá. Repara bem, não passes pelas coisas sem as ver.

Repara bem, são abraços dados aos longe, são pensamentos onde habitamos.

Dá o teu melhor, sempre. Porque há alguém que nos dá o melhor também.

27
Nov17

Sou feita...


Sofia Almeida

Sou feita da minha música preferida, do filme mais bonito que vi, da promessa de amor feita pelos meus, dos primeiros passos, das quedas e de quem me deu sempre mão.

Sou feita de sonhos, de saudades, de amor. Sou feita de coragem, de abraços, de risos e de gargalhadas. Sou feita de bom humor e de algum mimo também. Sou feita de uns dias melhores e outros assim assim.

Sou um pouco do que leio, do que vejo, do que amo, do que guardo. Sou também um pouco daqueles que amo, daqueles que ouço, daqueles que estão aqui, bem dentro, no meu coração.

Sou feita de algumas fraquezas, algumas conquistas, alguns desafios.

Sou feita de um amanhã, de um hoje e de um ontem, que já passou, mas que faz ainda parte de mim.

 

 

 

 

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16
Nov17

Café a Dois (Parte II)


Sofia Almeida

Levanto-me da cadeira para te cumprimentar, e sinto o teu perfume, o mesmo cheiro, o mesmo aroma. Sentas-te à minha frente, na cadeira de sempre. O tempo passa mas sabemos sempre os lugares a que pertencemos. Estás mais magro, consigo achar-te mais abatido, olheiras mais definidas, e um ar mais preocupado.
Sorrio, delicadamente e continuo a mexer o café com a colher. Não estou nervosa. Não fiquei com o coração a bater a mil. Não estou a suspirar e consigo perceber que as minhas mãos não suaram. Esta sou eu, firme e serena, confiante mas tranquila. Mas em ti, consigo perceber algum nervosismo. Pegas no jornal que estava em cima da mesa, lês o título em voz alta, e começas a gracejar, fazendo-me sorrir. 

Quebraste o gelo, e começamos a conversa com as coisas mais triviais, o típico: "que tens feito", "tens ido ao ginásio". E quando não queremos falar de nós, falamos dos outros: "soubeste o que aconteceu com fulano" "tens estado com os nossos amigos". A conversa foi-se soltando, fluindo naturalmente, sem perguntas constrangedoras. Até que soltas um "sabes" e fazes uma pausa, olhas para mim, com aquele olhar que eu reconheço mas não sei descrever em palavras. Existem olhares difíceis de traduzir. 

Este teu "sabes" deixou-me desconfortável, e declarou o início da conversa sobre nós. "Tenho pensado muito em nós", contínuas, "tenho pensado no que tínhamos, no quanto eu era feliz e não sabia. Tenho saudades tuas Ana. Não sabes o quanto me arrependo de te ter deixado." Fico atônita. Não esperava encontrar-te tão "nu" e despido de orgulho. Não, quando foste tu que saíste da nossa vida, clamando que não precisavas mais de mim, que estavas saturado, que precisavas de uma vida nova, e que já não me amavas. 
De repente deixo de te ouvir, só consigo ver os movimento dos teus lábios, e na minha cabeça as imagens da tua ida. Começo a sentir as minhas mãos a suar. Ouvir aquelas tuas palavras, viraram-me do avesso. Estive este tempo todo a arrumar o meu coração, e a apanhar todos os estilhaços. Para agora sentires te no direito de voltar a entrar na minha vida, como se nada fosse? 

Deixo-te falar, não te interrompo. Não preciso. “Não tens nada para dizer?” perguntas desesperado. 
“ Não sei o que dizer” - não conseguia verbalizar 
“ Como assim? Não sentes o mesmo? Não queres recuperar o tempo perdido?” 

19
Out17

Café a Dois ( Parte I)


Sofia Almeida

Café a Dois ( Parte I) 

Combinamos às cinco da tarde. Cheguei primeiro e sentei-me na mesa do costume. Engraçado como nós temos sempre aquela mania de fazer dos lugares públicos a nossa casa. Acho saudável esta mania. Faz nos sentir em casa, embora longe. Há lugares que fazem parte de nós. Este era o nosso café, o nosso lugar, a nossa mesa, o nosso cenário. Fazia parte da nossa rotina, da nossa história. " É o melhor café do mundo" - dizias tu com esse teu sorriso que roubou o meu coração. Sentei-me, olhei para o relógio, estavas atrasado. A vida agitada rouba os segundos, os minutos sem darmos conta. Enquanto esperava, pedi o meu café preferido, para aconchegar e aquecer o meu coração que estava frio desde que foste embora. O café, apesar da cafeína, era o que eu precisava para acalmar-me e distrair os meus pensamentos sem pensar no que te havia de dizer. Foste tu que me procuraste, depois destes meses todos da tua ausência. Recusei as tuas chamadas. Não devolvi, sequer. Não abria as mensagens, apagava de imediato. Não queria mais ouvir o teu nome ou a tua voz. Porque havia de querer? Foi na altura em que já estava a habituar-me a tua ausência, que resolveste voltar. Será que percebeste que eu estava a viver a minha vida sem mais em ti? Será que sentiste que já não eras mais sentido por mim? Que mania esta, de que quando, nós estamos finalmente a aprender a viver sem esse alguém, esse alguém volta do nada (..) o café está quente, tento o arrefecer com a colher dando voltas e voltas, e penso nas voltas que a vida dá. Voltar aqui, faz-me sentir nostálgica, as pessoas são as mesmas, o cheiro mantém-se, os doces apetecíveis continuam a piscar o olho. Olho para a janela e consigo ver as ruas cheias de pessoas, de carros, de sinais, o sol brilha, e enquanto todo o mundo vive na agitação, estou serena e a apreciar. Não quero reviver um passado. Aceitei encontrar-me aqui contigo, não porque precise de respostas, mas porque sei viver sem ti. Vagueio nos meus pensamentos, saboreio o travo de canela no café, sinto uma mão no meu ombro. Reconheço este toque. Ouço a tua voz como um eco: " Desculpa, apanhei um trânsito terrível." Sorrio, confiante, respondo serenamente: " Nem dei pelo tempo passar." Confirmo com os meus olhos, que o teu sorriso se mantém. 

 

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(Continua) 

Sofia Almeida

04
Out17

uma história de amor


Sofia Almeida

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Estou em frente a uma nova escolha. Escolho ir ou escolho ficar. Apareceste sem eu contar. No fundo sempre pedi, baixinho, nas minhas preces por alguém como tu. Estou com medo. Não te quero dizer, porque não vais compreender as minhas cicatrizes e dores que tenho guardadas na caixa das memórias. Foram histórias de amor que deixaram marcas para toda uma vida. As marcas que restam são ensinamentos. Agora estou aqui, nas mãos tenho uma decisão, ir ou ficar. Ir viver uma nova história, dar uma chance de viver o amor, ou ficar a viver as minhas cicatrizes e guardar-me para boa me magoar.
Agora estou aqui, perante um novo começo, perante novos abraços, uma nova história, quem sabe o meu grande amor. 
Agora estou aqui, mas com uma bagagem de histórias que não deram certo, com medo de confiar, com receio de falhas, com medo de me enganar em relação a ti.
Agora estou aqui, perante ti, com a futura promessa de te fazer feliz, de fazer valer a pena, de te deixar entrar neste meu mundo que está tão bem protegido. 
Agora estou aqui, quero caminhar em frente, quero escolher ser feliz, sem medos, sem receios, sem preocupações. 
Quero e preciso de voltar a acreditar no amor. 
Preciso que me faças acreditar, preciso que me tires este medo que tenho de me entregar.

Sofia Almeida

 

23
Ago17

Onde houver amor, deixa-te ficar


Sofia Almeida

Onde houver amor deixa-te ficar. 
Onde houver abraços sinceros, beijos prolongados deixa-te ficar.
Onde houver palavras que confortem, conversas de verdade deixa-te ficar. 
Onde houver paz, tranquilidade e o conforto deixar-te ficar.
Onde houver sol, pessoas que aqueçam o teu coração, deixa-te ficar. 
Onde houver olhares que se importam, perguntas que valem a pena responder, deixa-te ficar.
Onde houver esperança, deixa-te ficar.

Sofia Almeida

Meu Doce Limão

 

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