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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

29
Mai17

Amar é um verbo para ser conjugado a dois


Sofia Almeida

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Amar é um verbo que deve ser conjugado pelos dois. Deve ser reciproco. Deve ser dado na medida exacta que se recebe. Mas sem réguas, sem pesos, sem medidas. Deve ser assim, porque deve ser naturalmente assim. Não há nada melhor do que amar e ser amado, do que um equilíbrio, onde dois atravessam de mãos dadas todos os desafios. Onde ninguém se acomoda, se deixa estar, e deixa o outro sozinho a segurar as pontas e a remar o barco. Ninguém é igual a ninguém. E as vezes, sim dá uma preguiça, um certo cansaço, mas que deve ser recuperado de imediato. Não é possível, amar por dois por muito tempo. é um engano. Não é possível lutar por algo que é para ser vivido por dois. Não é possível conjugar este verbo sozinha, pois é um fardo muito grande. Amar por dois, não pode ser amor. 

 

 

 

 

29
Mai17

Há sempre


Sofia Almeida

[ Há sempre uma solução, uma saída, uma direção. Quando um muro separa, há uma ponte que une. Há sempre uma alternativa, uma chance, uma ligação, uma opção um outro sentido. O copo pode ser meio vazio, mas também é meio cheio, tudo depende do nosso ponto de vista e a maneira como queremos encarar as coisas e principalmente a vida. Há que ter uma grande dose de otimismo para poder ver a vida de outra forma. Há que tentar ver as coisas pelo outro lado. É possível. Basta acreditar.]

Sofia Almeida

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29
Mai17

Velha infância


Sofia Almeida

[ Sempre gostei da velha e doce infância. Daquela inocência que era perfeita e cabia perfeitamente em nós. Sempre. Bastava o sol, uma lufada de ar fresco, um pouco de imaginação e o dia estava feito e éramos felizes. Não existiam pressas, não existiam horas marcadas, era tudo mais suave e intemporal. O amanhã era o acordar para viver. Descia com a minha avó, até a ribeira onde ela ia lavar a roupa. As pedras que serviam de tanque eram grandes, na verdade eram pequenas, mas aos meus olhos eram enormes. Sentava-me numa delas e olhava para ela enquanto ela lavava e esfregava a roupa na água, enquanto se enchia de espuma daquele sabonete cor de rosa. Eu ficava com os pés na ribeira. A água era fria. O som dela a correr era música. Os girinos, os seixos, o sol e tudo era tão simples. Hoje já não sei se as pedras estão por lá. Já não sei se a ribeira ainda existe. Mas guardo nas gavetas da memória, que abro com carinho quando quero lá voltar. ]

Sofia Almeida
www.meudocelimao.com

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23
Mai17

Amor


Sofia Almeida

[ Em conversa com uma grande amiga, que tem um casamento feliz e de muito tempo, perguntei-lhe qual era o segredo para um amor feliz. Tantas vezes que já presenciamos o amor daqueles casais que já são velhinhos mas que continuam de mão dada e o brilho nos olhos. Ela disse baixinho: "Sermos amigos um do outro e ter muita paciência." A infeliz verdade é que há pessoas que por mais que não queiram, permitem e deixam que o amor acabe. O amor acaba quando somos orgulhosos. Quando olhamos só para o nosso umbigo. Quando não pedimos desculpa, quando não entendemos o outro. Quando não temos paciência. Quando não percebemos que as discussões e as coisas pequeninas vão envenenado um amor. Quando estamos cansados e sem tempo, e deixamos nos levar pela rotina do dia a dia, esquecendo a delicadeza e a gentileza. Não há receitas para um amor feliz, para um amor para sempre. Porque como em tudo na vida, a felicidade é vivida em momentos. E o amor está sempre lá, só que tem que ser cultivado, com pequenas vontades, com paciência, com sustento. Hoje em dia poucas pessoas se suportam. Enfrentam pequenos desafios e deixam o barco afundar logo no primeiro instante. Não tentam e re-tentam as vezes que forem necessárias, porque quando vale a pena, vale! Vale a pena se realmente se ama, carregar uma mala pesada a dois, é mais suportável passar por adversidades a dois. O amor é sobretudo um companheirismo sem cobranças. É uma amizade em forma de flor que deve ser cuidada. O amor quando é amor não tem data de validade. ]

Sofia Almeida
 
 

 

18
Mai17

Ama-me quando menos merecer


Sofia Almeida

«Ama-me, quando menos merecer.» Li isto algures e achei que fazia todo o sentido. Amar quando as coisas não estão bem. Amar quando alguém erra. Amar quando estamos maldispostos. Amar quando estamos cheios de trabalho. Amar quando os ventos sopram em direções erradas. É tão difícil. Essa parte, sim, é a derradeira prova de amor.

Fácil é amar quando os sonhos são cor-de-rosa, quando não existem nuvens no céu, quando o sol brilha, quando a brisa está favorável. Amar assim é fácil. E depois? Quando os problemas surgem? Quando o inverno chega? Quando as lágrimas tendem a cair? Quando existe um fardo a ser carregado? Nessas alturas, estamos lá? Quando o orgulho tende a aparecer? Quando há desentendimento, discussões?

Já cantava Rui Veloso: «Toda a alma tem uma face negra. Nem eu, nem tu fugimos à regra. […] Se resistir à treva, é um amor seguro, à prova de bala, à prova de tudo».

É fácil amar, quando nos oferecem tudo: sorriso, sonhos, unicórnios e estrelas. Difícil é amar no meio da tempestade, quando a água entra no barco, quando as nuvens ditam que vem trovoada.

Amar é uma tarefa para corajosos. Para quem se atreve a dar, para quem tem a ousadia de se ver além de si mesmo. Amar alguém é uma prova, uma lição. Deve-se amar por um todo. Pelos dois lados da mesma moeda. Pelo dia e pela noite. Pelo bom e pelo mau. E aí, sim, é um amor à prova de bala, à prova de tudo.

Sofia Almeida

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