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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

27
Nov17

Sou feita...


Sofia Almeida

Sou feita da minha música preferida, do filme mais bonito que vi, da promessa de amor feita pelos meus, dos primeiros passos, das quedas e de quem me deu sempre mão.

Sou feita de sonhos, de saudades, de amor. Sou feita de coragem, de abraços, de risos e de gargalhadas. Sou feita de bom humor e de algum mimo também. Sou feita de uns dias melhores e outros assim assim.

Sou um pouco do que leio, do que vejo, do que amo, do que guardo. Sou também um pouco daqueles que amo, daqueles que ouço, daqueles que estão aqui, bem dentro, no meu coração.

Sou feita de algumas fraquezas, algumas conquistas, alguns desafios.

Sou feita de um amanhã, de um hoje e de um ontem, que já passou, mas que faz ainda parte de mim.

 

 

 

 

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16
Nov17

Café a Dois (Parte II)


Sofia Almeida

Levanto-me da cadeira para te cumprimentar, e sinto o teu perfume, o mesmo cheiro, o mesmo aroma. Sentas-te à minha frente, na cadeira de sempre. O tempo passa mas sabemos sempre os lugares a que pertencemos. Estás mais magro, consigo achar-te mais abatido, olheiras mais definidas, e um ar mais preocupado.
Sorrio, delicadamente e continuo a mexer o café com a colher. Não estou nervosa. Não fiquei com o coração a bater a mil. Não estou a suspirar e consigo perceber que as minhas mãos não suaram. Esta sou eu, firme e serena, confiante mas tranquila. Mas em ti, consigo perceber algum nervosismo. Pegas no jornal que estava em cima da mesa, lês o título em voz alta, e começas a gracejar, fazendo-me sorrir. 

Quebraste o gelo, e começamos a conversa com as coisas mais triviais, o típico: "que tens feito", "tens ido ao ginásio". E quando não queremos falar de nós, falamos dos outros: "soubeste o que aconteceu com fulano" "tens estado com os nossos amigos". A conversa foi-se soltando, fluindo naturalmente, sem perguntas constrangedoras. Até que soltas um "sabes" e fazes uma pausa, olhas para mim, com aquele olhar que eu reconheço mas não sei descrever em palavras. Existem olhares difíceis de traduzir. 

Este teu "sabes" deixou-me desconfortável, e declarou o início da conversa sobre nós. "Tenho pensado muito em nós", contínuas, "tenho pensado no que tínhamos, no quanto eu era feliz e não sabia. Tenho saudades tuas Ana. Não sabes o quanto me arrependo de te ter deixado." Fico atônita. Não esperava encontrar-te tão "nu" e despido de orgulho. Não, quando foste tu que saíste da nossa vida, clamando que não precisavas mais de mim, que estavas saturado, que precisavas de uma vida nova, e que já não me amavas. 
De repente deixo de te ouvir, só consigo ver os movimento dos teus lábios, e na minha cabeça as imagens da tua ida. Começo a sentir as minhas mãos a suar. Ouvir aquelas tuas palavras, viraram-me do avesso. Estive este tempo todo a arrumar o meu coração, e a apanhar todos os estilhaços. Para agora sentires te no direito de voltar a entrar na minha vida, como se nada fosse? 

Deixo-te falar, não te interrompo. Não preciso. “Não tens nada para dizer?” perguntas desesperado. 
“ Não sei o que dizer” - não conseguia verbalizar 
“ Como assim? Não sentes o mesmo? Não queres recuperar o tempo perdido?” 

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