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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

19
Out17

Café a Dois ( Parte I)


Sofia Almeida

Café a Dois ( Parte I) 

Combinamos às cinco da tarde. Cheguei primeiro e sentei-me na mesa do costume. Engraçado como nós temos sempre aquela mania de fazer dos lugares públicos a nossa casa. Acho saudável esta mania. Faz nos sentir em casa, embora longe. Há lugares que fazem parte de nós. Este era o nosso café, o nosso lugar, a nossa mesa, o nosso cenário. Fazia parte da nossa rotina, da nossa história. " É o melhor café do mundo" - dizias tu com esse teu sorriso que roubou o meu coração. Sentei-me, olhei para o relógio, estavas atrasado. A vida agitada rouba os segundos, os minutos sem darmos conta. Enquanto esperava, pedi o meu café preferido, para aconchegar e aquecer o meu coração que estava frio desde que foste embora. O café, apesar da cafeína, era o que eu precisava para acalmar-me e distrair os meus pensamentos sem pensar no que te havia de dizer. Foste tu que me procuraste, depois destes meses todos da tua ausência. Recusei as tuas chamadas. Não devolvi, sequer. Não abria as mensagens, apagava de imediato. Não queria mais ouvir o teu nome ou a tua voz. Porque havia de querer? Foi na altura em que já estava a habituar-me a tua ausência, que resolveste voltar. Será que percebeste que eu estava a viver a minha vida sem mais em ti? Será que sentiste que já não eras mais sentido por mim? Que mania esta, de que quando, nós estamos finalmente a aprender a viver sem esse alguém, esse alguém volta do nada (..) o café está quente, tento o arrefecer com a colher dando voltas e voltas, e penso nas voltas que a vida dá. Voltar aqui, faz-me sentir nostálgica, as pessoas são as mesmas, o cheiro mantém-se, os doces apetecíveis continuam a piscar o olho. Olho para a janela e consigo ver as ruas cheias de pessoas, de carros, de sinais, o sol brilha, e enquanto todo o mundo vive na agitação, estou serena e a apreciar. Não quero reviver um passado. Aceitei encontrar-me aqui contigo, não porque precise de respostas, mas porque sei viver sem ti. Vagueio nos meus pensamentos, saboreio o travo de canela no café, sinto uma mão no meu ombro. Reconheço este toque. Ouço a tua voz como um eco: " Desculpa, apanhei um trânsito terrível." Sorrio, confiante, respondo serenamente: " Nem dei pelo tempo passar." Confirmo com os meus olhos, que o teu sorriso se mantém. 

 

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(Continua) 

Sofia Almeida

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