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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

No mundo faz de conta

 

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Era tão bom que a vida fosse como nos ensinaram, quando éramos crianças, quando pegávamos no dente-de-leão e soprávamos para pedir um desejo.

Quando éramos crianças, tínhamos sonhos guardados no bolso e os dentinhos debaixo da almofada para a fadinha dos dentes os levar.

Quando éramos crianças, vivíamos despreocupadas no mundo cor-de-rosa do faz de conta. Ontem, era uma princesa. Hoje, já podia ser a cabeleireira.

Quando éramos crianças, o vento tocava no cabelo, enquanto descíamos de bicicleta a rua da casa da avó.

Quando éramos crianças, sorriamos de forma tão sincera que, por dentro, sentíamos raios de luz.

Quando éramos crianças, adorávamos o sabor do tulicreme, num pão daqueles pequeninos, enquanto assistíamos aos desenhos animados da altura. As gargalhadas eram sonoras, sem vergonhas. Vivíamos despreocupados com o que outros pensavam.

Quando éramos crianças, os pirilampos eram mágicos e as cores tinham mais vida. Não havia horas contadas, nem preocupações que não nos deixassem dormir.

Dizem que o mundo é das crianças, e eu acredito que sim. Acredito tanto que sim, na inocência aliada a uma sinceridade, num mundo faz de conta que é tão verdadeiro.

Tenho saudades. Saudades de calçar os saltos altos da minha mãe e de correr pela casa a fazer de conta que era adulta. Hoje, sou adulta e só quero calçar uns ténis confortáveis e fazer de conta que sou criança, viver aventuras num mundo de imaginação.

 

 

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