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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

O dia em que te esqueci

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Nunca te esqueças de mim. Nunca te esqueças de nós. Pedia-te em segredo, baixinho,  na esperança que nunca me esquecesses. Nunca é muito tempo, para sempre também é. Mas dá um alívio tão grande pensar que as coisas são para sempre. É como se fosse um analgésico de esperança que nós tomamos. 
Mas tu esqueceste-te de mim. Esqueces-te de nós. De tudo o que era nosso, de todo o chão que pisamos juntos, daquele manto de amor. 
E eu aqui fiquei. Sozinha. No chão da casa que era nosso. À espera do dia em que te pudesse esquecer. À espera do dia em que aquela música não fizesse o meu coração disparar. À espera do dia em que não esperasse mais por notícias tuas. À espera do dia em que não lê-se mais o teu nome escrito na rua, em todo o lado.  
E consegui. Esqueci-te. No dia em que te esqueci, o sol nasceu com outra cor. Não sei explicar, mas eu consegui-o sentir de outra forma. No dia em que te esqueci, olhei para mim e achei-me mais bonita que nunca, há sei lá, se calhar eu sempre fui, só não me olhava mais. No dia em que te esqueci, a música era outra, e eu sabia a letra de cor. No dia em que te esqueci o relógio tinha as horas certas, o ponteiro dos segundos batia em conformidade com o meu tempo. Era o meu tempo. No dia em que te esqueci, lembrei-me de mim. Percebi que me esqueci de mim, ao invés de ser de ti. E foi tão bom lembrar de mim. No dia em que te esqueci, pedi-me: nunca te esqueças de mim. 
 
 
Sofia Almeida