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Meu Doce Limão

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir" - Amyr Klink

08
Jan16

o melhor dos 30


Sofia Almeida

:

 

 cronica na capaz

 

Faço 31 anos. 31 anos. Digo duas vezes porque ainda não acredito que tenho 31 anos. Não porque tenha medo do número, até é um número bem bonito, mas porque sinto que os anos passam mas eu continuo a mesma. Melhor até. Não me sinto mais velha. Não me sinto diferente. Sinto-me maravilhosamente bem. Realizada e feliz.

 

Há uns anos, por volta dos 20, pensaria que aos 31 anos as coisas estariam diferentes. Talvez casada com dois filhos, uma casa com um jardim e um labrador a passear. Afinal foi sempre assim que desejei. Já em pequena os desenhos que fazia eram uma casa com um caminho, um jardim, uma família e um cão. Os livros de infância também contam essa história, assim como os filmes que víamos da Disney.

 

Desde novas que nós mulheres fomos educadas para que na casa dos 30, devemos ser mães, estar casadas. A geração antes da minha, era assim, na sua maior parte. Muitas vezes a minha mãe olhava para mim e dizia: “eu da tua idade já tinha dois filhos.”

 

Há uns anos, deveria ter eu uns 20, em conversas com amigos, falávamos assim: ” eles já são mais velhos, têm para aí 30 anos”. Dizíamos assim, como se fosse uma coisa muito longínqua, distante. Hoje rio, porque sou eu e os meus amigos que temos 30 anos e penso que grande disparate, eu hoje com 30 sinto-me com 20. Muitas vezes quando digo a minha idade, dizem sempre que estou bem conservada. Pergunto-me como deveria aparentar uma mulher de 30? Rugas? Cansaço? Pronto, tomo isso como um elogio, e digo obrigada.

Aos 30 ouvem-se perguntas: ” então, já estás casada?”, “olha quando engravidas?” Perguntas descabidas. Comentários desnecessários.

 

Dizem que os 30 são os novos 20, e os 40 os novos 20, será cliché? Não sei. Mas o que é certo é que a idade é só um número. A idade não diz o que somos. A idade não importa. Evidente que amadurecemos com a idade, mas no sentido de nos tornamos melhores. Mais maduros, mais adultos, mas se quisermos ter uma criança dentro de nós podemos ter, não há mal nenhum. De vez em quando é bom que ela saia cá para fora. Sim, somos mais pacientes, não temos pressa de ter as coisas, não há a mesma urgência que havia na casa dos vinte de ter as coisas já. Apreciam-se coisas que aos vinte não sabiam tão bem. Existe mais calma, mais entendimento.

 

Confesso que quando fiz 30, percebi que estava a ficar mais velha, que era um número mais sério. Para mim, errar antes dos 30 era parte da vida, seria mais aceitável. Mas quando o cronômetro da idade marcou os 30, mudam algumas coisas. Não há tempo para as incertezas e inseguranças. Não há paciência para fretes. Não tens que fazer coisas só para agradar os outros. Valorizas o teu precioso tempo. Tentas ter uma alimentação mais saudável. Escutas mais aquelas pessoas que são muito importantes na tua vida, como os pais, por exemplo. Somos mais humildes. Não tomamos decisões precipitadas.

Com o passar deste ano percebi que isso é uma coisa natural, porque amadurecemos.

 

Para mim a idade não passa de um número. O que importa é o estado de espírito. Nós somos aquilo que pensamos e fazemos. Sempre.

 

Não tenho tudo aquilo que sonhei ter, mas sou uma mulher feliz, realizada. Os 30 foram tão bons comigo. Por isso que venham os 31!

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